O foco desse blog é a pesquisa da história do Sertão baiano.
Estrutura da ferrovia Salgado/Paulo Afonso (leste) construída nos anos 1950
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Esta estrutura foi construída
pelos trabalhadores da ferrovia Salgado/Paulo Afonso por volta dos anos 1950 na
fazenda que hoje pertence a Almir Correia.
Labareda entre as cabeças de Corisco e Lampião. Fonte: Revista Cruzeiro Segundo o pesquisador e entusiasta do cangaço, Kiko Monteiro, Ângelo Roque, Vulgo Labareda e seu subgrupo de cangaceiros foi o bando mais atuante na região de Fátima, Adustina, Paripiranga e demais cidades vizinhas. Ângelo Roque da Costa nasceu por volta de 1910 em Pernambuco. Assim como a quase totalidade das histórias de cangaceiros, a história de Ângelo Roque foi marcada pela pobreza e pela violência. Segundo entrevistas concedidas por ele mesmo após cumprir pena em Salvador, sua vida delinquente inicia ainda na adolescência quando assassina um soldado que prometera “roubar” sua irmã. À partir de então, o valente pernambucano passa a integrar o bando de Lampião e perambular pela caatinga em sua vida errante. Ainda segundo ele, após dois anos de andanças ao lado do rei do cangaço, seu destaque como homem hábil e valente na luta lhe rendeu o posto de chefe de subgrupo. Em palestra brilhante na Câmara...
Lampião segurando o punhal. Disponível em: http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2015/01/ O sertanejo que viveu entre as décadas de vinte e trinta do século passado habituou-se à dureza da vida imposta pelo clima e também pelas inúmeras e graves questões de cunho social. Além da seca que assolava o chão sobre o qual pisava, a violência de cangaceiros e forças policiais imprimiram um povo duro, muitas vezes ríspido e alheio à sentimentalismos. As ações de cangaceiros e volantes criaram inúmeros traumas entre “os paisano”, como eram conhecidas as pessoas que não tomavam partido de um lado ou de outro nas lutas. Esse clima de violência e rivalidades entre policiais e bandidos deu margem ao surgimento de inúmeras lendas envolvendo, sobretudo, os cangaceiros. Como se sabe, Lampião foi o maior expoente do cangaço e, por consequência, a figura mais presente nas lendas. Durante as minhas pesquisas, fiz inúmeras entrevistas com moradores de Fátima e região. Em mais de um caso...
Durante as buscas pelo corpo, ainda no sábado pela manhã, estive no açude de Adustina por um curto espaço de tempo — tempo suficiente para presenciar o reavivamento de um antigo costume. A cena simbólica que muito me marcou foi a da madrinha de Edson colocando uma vela acesa dentro de uma cabaça nas águas do açude que sepultava, momentaneamente, o jovem cantor fatimense. Em nossa região, esse costume remonta a tempos imemoriais: uma espécie de simpatia que utiliza a fé para aplacar a angústia de uma família que sofre sem um corpo para sepultar. “Simpatia da vela” ou “Lanterna dos Afogados” são os nomes dados a essa ação tradicional. Esse costume não é originário do sertão. É mais provável que tenha surgido no Norte do país, entre povos ribeirinhos, e que, por razões difíceis de precisar, tenha chegado até nossos ancestrais. A crença é a de que a vela acesa siga até o local onde o corpo está sob as águas e indique às equipes de resgate o ponto onde mergulhar para encontrar a pesso...
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