O foco desse blog é a pesquisa da história do Sertão baiano.
Estrutura da ferrovia Salgado/Paulo Afonso (leste) construída nos anos 1950
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Esta estrutura foi construída
pelos trabalhadores da ferrovia Salgado/Paulo Afonso por volta dos anos 1950 na
fazenda que hoje pertence a Almir Correia.
Labareda entre as cabeças de Corisco e Lampião. Fonte: Revista Cruzeiro Segundo o pesquisador e entusiasta do cangaço, Kiko Monteiro, Ângelo Roque, Vulgo Labareda e seu subgrupo de cangaceiros foi o bando mais atuante na região de Fátima, Adustina, Paripiranga e demais cidades vizinhas. Ângelo Roque da Costa nasceu por volta de 1910 em Pernambuco. Assim como a quase totalidade das histórias de cangaceiros, a história de Ângelo Roque foi marcada pela pobreza e pela violência. Segundo entrevistas concedidas por ele mesmo após cumprir pena em Salvador, sua vida delinquente inicia ainda na adolescência quando assassina um soldado que prometera “roubar” sua irmã. À partir de então, o valente pernambucano passa a integrar o bando de Lampião e perambular pela caatinga em sua vida errante. Ainda segundo ele, após dois anos de andanças ao lado do rei do cangaço, seu destaque como homem hábil e valente na luta lhe rendeu o posto de chefe de subgrupo. Em palestra brilhante na Câmara...
Imagem ilustrativa Os primeiros Santana – grafados também como Santa Anna – aparecem nos registros de terras da região do Itapicuru e do Tiuiú desde as primeiras décadas do século XIX. Contudo, sua presença remonta à fase de ocupação colonial ligada à Casa da Torre e às freguesias de Santana e Santo Antônio dos Tucanos, criadas a partir das doações de sesmarias no século XVIII. Nomes como José de Santa Anna, Joaquim José de Santa Anna, Constantino José de Santa Anna e José Joaquim de Santana figuram nos tombos de terras entre 1815 e 1830, registrando posses em sítios como Mandacarú, Lagoa da Jabuticaba, Riacho, Urubutinga e Catinga. Esses pioneiros atuaram como posseiros e sesmeiros, expandindo a fronteira da pecuária e da agricultura de subsistência. A primeira geração de Santanas estava, portanto, diretamente vinculada à lógica econômica regional: a pecuária extensiva, fundamental para a formação da “Sociedade do Couro”, e a lavoura de subsistência (mandioca, milho e pequen...
Lampião segurando o punhal. Disponível em: http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2015/01/ O sertanejo que viveu entre as décadas de vinte e trinta do século passado habituou-se à dureza da vida imposta pelo clima e também pelas inúmeras e graves questões de cunho social. Além da seca que assolava o chão sobre o qual pisava, a violência de cangaceiros e forças policiais imprimiram um povo duro, muitas vezes ríspido e alheio à sentimentalismos. As ações de cangaceiros e volantes criaram inúmeros traumas entre “os paisano”, como eram conhecidas as pessoas que não tomavam partido de um lado ou de outro nas lutas. Esse clima de violência e rivalidades entre policiais e bandidos deu margem ao surgimento de inúmeras lendas envolvendo, sobretudo, os cangaceiros. Como se sabe, Lampião foi o maior expoente do cangaço e, por consequência, a figura mais presente nas lendas. Durante as minhas pesquisas, fiz inúmeras entrevistas com moradores de Fátima e região. Em mais de um caso...
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