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Mostrando postagens com o rótulo História de Fátima

A comunidade da Serradinha e suas heranças africanas.

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Serradinha: raízes e memória de uma comunidade negra em Fátima (BA) A comunidade fatimense conhecida como Serradinha foi, por gerações, envolta em uma mesma dúvida: seria aquele povoado, formado majoritariamente por negros, um remanescente de um antigo quilombo surgido nos tempos da escravidão no Brasil? Em 2010, um grupo de acadêmicos do curso de História da Universidade Tiradentes (UNIT) decidiu investigar essa questão. O trabalho resultou em um documentário, hoje disponível gratuitamente no YouTube (link ao final deste texto). Na ocasião, os pesquisadores realizaram um levantamento detalhado das origens da Serradinha, reunindo depoimentos, documentos e registros orais que lançaram nova luz sobre a formação da comunidade. As informações obtidas indicam que a maioria dos moradores possui laços de parentesco que remontam a um ancestral comum: José Cirilo dos Santos , mais conhecido como Zé Grande . Segundo relatos de seus descendentes, os fundadores da Serradinha nasceram em S...

Fátima: Heranças da cultura do gado vacum

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Nos primórdio da colonização portuguesa no Brasil, ainda nos anos 1500. Garcia de Souza D’Ávila, patriarca da família da casa da torre, introduz na colônia o gado bovino. Mal sabia ele que aquele animal trazido à duras custas deixaria tão profundas marcas entre o povo nordestino. Através dos seus colaboradores, as fazendas de gado ligadas à Garcia D’Ávila e seus descendentes povoariam boa parte do nordeste. Utilizando o leito dos rios como estradas, os vaqueiros abriram caminho entre a caatinga em busca de áreas para pastagem, expulsaram os índios das terras desejadas e estabeleceram povoações que, séculos mais tarde, se tornariam cidades. Em artigo publicado no jornal aracajuano “A cidade” em 13 de agosto de 2011, o professor do departamento de história da UFS, Francisco José Alves, analisa as heranças da cultura da criação de gado entre a gente sergipana e é impressionante como tais marcas culturais se assemelham às nossas, mostrando como é forte a identificação do fatimen...

Esse menino é “os pé de Zé Sereno”!

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Quem cresceu em Fátima e região, provavelmente já escutou essa expressão. Aplicada à crianças traquinas, danadas em demasia, é uma expressão que remonta, provavelmente às origens da cidade, mais precisamente, ao tempo em que cangaceiros e cangaceiras perambulavam por essas caatingas que nos cerca.               Zé sereno foi um dos grandes nomes do cangaço. Compadre de Lampião, ele e sua companheira, Sila, estiveram entre os poucos sobreviventes do massacre de Angico, onde morreram, Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros.             José Ribeiro Filho, o Zé Sereno, nasceu no dia 25 de agosto de 1913 em Chorrochó, Bahia. Zé sereno entra para o bando de Lampião após intriga com um policial. Combate ao lado do capitão Virgulino por vários anos, quando finalmente é autorizado a criar seu próprio grupo.         ...

CORDELIZANDO A HISTÓRIA E AS ESTÓRIAS

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Autor: Cidney Nascimento VOCÊ DIZ QUE É DE FÁTIMA E NÃO CONHECE...!? Se tu és um(a) fatimense Precisa a nossa história estudar Se não conhecer teu passado Vai ficar emocionado Com o que vou te contar. Memória, é a garantia Da nossa identidade É um sentimento de pertença De valores, costumes e crenças Da nossa querida cidade. Se Você diz que é de Fátima Tem que ter boas lembranças Das pessoas, dos momentos Alegrias, sofrimentos Do seu tempo de criança. Mocó, Monte Alverne e Feirinha Foram os nomes recebidos De uma Vila promissora Hoje, cidade acolhedora De um povo destemido. Se és um bom fatimense E conheces nosso chão Sabes que foi Ângelo Lagoa O seu nome ainda ecoa Pela primeira construção. Da independência política Jamais devemos esquecer De João Maria de Oliveira Que sempre enfrentou os Vieira Sem jamais retroceder. A política desde sempre Em Fátima foi uma agonia João Maria e Augusto Queriam a todo custo Comandar a freguesia. Isso nã...

Raimundo Oleiro ajudou a construir Fátima

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Raimundo Oleiro. Foto cedida pela família. A Olaria é considerada a mais antiga das indústrias. O oleiro, profissional das olarias, é aquele que confecciona utensílios ou objetos à partir da argila. Ainda no neolítico, os homens primitivos começaram a substituir cabaças, cacos de cocos e demais vasilhames naturais por vasos de cerâmica. Teria início ali a arte de moldar o barro para a produção de objetos que facilitavam a vida das pessoas. Diversos povos indígenas brasileiros faziam uso variado da cerâmica. Aqui mesmo na região nordeste da Bahia os kirirs, que habitavam toda esta área, já faziam uso do barro moldado bem antes da chegada do portugueses. Os exemplos mais eloquentes disso são as urnas funerárias (vasos de cerâmicas onde ossos humanos eram sepultados em rituais fúnebres) encontradas em Paripiranga nos anos 1970 e em Cícero Dantas na construção do estádio municipal. Mas a variação da olaria mais conhecida entre os sertanejos é mesmo as tendas responsáveis pela...

A bodega de Félix Gabriel

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            O poeta paraibano Jessier Quirino narra os icônicos personagens nordestinos personificados nos donos de bodega, os trejeitos e a peculiar impaciência desses senhores, verdadeiros patrimônios da nossa cultura.             Em Fátima temos diversos exemplos desses comerciantes de um tempo em que não existiam especificidades para um comércio. Tudo se encontrava nas bodegas, de pílula cibalena a munição de arma de fogo eram prontamente embalados no papel que se cortava de um grande cilindro e entregues ao freguês comprador.             Esses estabelecimentos sobreviveram até os anos 1990. Na minha infância fui até a bodega de Paulo das Galinhas comprar “linha pau” para costurar bolas de futebol e também na bodega de Elias Pereira comprar “Quitute”.          ...

Lampião matou uma criança com o seu punhal?

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Lampião segurando o punhal. Disponível em: http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2015/01/ O sertanejo que viveu entre as décadas de vinte e trinta do século passado habituou-se à dureza da vida imposta pelo clima e também pelas inúmeras e graves questões de cunho social. Além da seca que assolava o chão sobre o qual pisava, a violência de cangaceiros e forças policiais imprimiram um povo duro, muitas vezes ríspido e alheio à sentimentalismos. As ações de cangaceiros e volantes criaram inúmeros traumas entre “os paisano”, como eram conhecidas as pessoas que não tomavam partido de um lado ou de outro nas lutas. Esse clima de violência e rivalidades entre policiais e bandidos deu margem ao surgimento de inúmeras lendas envolvendo, sobretudo, os cangaceiros. Como se sabe, Lampião foi o maior expoente do cangaço e, por consequência, a figura mais presente nas lendas. Durante as minhas pesquisas, fiz inúmeras entrevistas com moradores de Fátima e região. Em mais de um caso...

Fátima, anos 1970

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Foto tirada na avenida Nossa Senhora de Fátima, nas imediações do local onde hoje funciona o bar “Oxente”. Os jovens na imagem são José Elício e Maria Olga, Filhos de Tóta André e D. Chiquinha. A avenida, ainda sem calçamento aparece muito diferente do que é hoje. Ao fundo, podemos ver algumas árvores e construções que não existem mais.

Desfile Cívico, anos 1970

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Essa fotografia foi enviada ao Blog HF pelo parceiro e pesquisador Juan k. Menezes. É o registro de um desfile cívico de 1970, na atual Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima quando a entrada da escola ainda dava para a avenida de mesmo nome, a foto, entretanto, foi tirada na parte dos fundos da escola e esta se chamava Escola Municipal Monsenhor Galvão.. Nessa época, Fátima ainda era uma vila pertencente ao município de Cícero Dantas. Ao fundo vemos as fachadas das casas da avenida com aparência bastante diferente dos dias atuais. O detalhe do muro muito mais baixo do que hoje se apresenta é interessante pois permitia aos transeuntes acompanhar o desfile da calçada. Vemos a banda de fanfarra ao fundo, bem como, um grupo de jovens alunas em primeiro plano.

Jardim da Independência, Praça Ângelo Lagoa, anos 1980.

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A foto mostra um aspecto bem diferente do atual jardim da Praça Ângelo Lagoa. A praça passou por algumas reformas ao longo dos anos. Já nos anos 2000 o jardim foi totalmente revitalizado e ganhou uma aparência mais moderna. Na imagem em questão, os canteiros da construção eram bastante rasteiros e haviam poucas plantas para enfeitar. As casas ao passaram por poucas modificações com exceção da casa da esquina que foi totalmente demolida e deu lugar a um moderno sobrado. É possível visualizar a antiga prefeitura que funcionou na referida praça ao fundo e ao centro da foto. Quando eu era criança, nos anos 1990, minha família mudou-se para a Praça Ângelo Lagoa onde minha mãe reside até hoje. Me lembro bem de brincar nesse jardim ainda com essa aparência da foto. Alí jogávamos bola e arranhávamos os dedos nos carrinhos de rolimã.

Fátima, anos 1980

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O personagem principal dessa foto, ao centro, de óculos escuro e cabelos longos, é José Renato, conhecido como Zé Renato Seresteiro. Zé Renato é um dos precursores da música em Fátima, artista de voz imponente, fez enorme sucesso por longos anos. Hoje, parece ter perdido o entusiasmo pela música mas ainda conserva a voz que o fez famoso entre os fatimenses.

Santinho, o sanguinário tenente que combateu Labareda em Fátima

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Disponível em: https://lampiaoaceso.blogspot.com/search?q=Ladislau Ladislau Reis de Souza ficou conhecido no sertão baiano como o “Tenente Santinho”. De acordo com texto postado no blog “Lampião Aceso” do pesquisador Kiko Monteiro, o tenente santinho tinha fama e atitude de um homem extremamente duro, para não dizer cruel, com os cangaceiros. Sua fama de homem implacável no combate ao cangaço ecoou pelos quatro contos em toda essa região. Muitos cangaceiros pereceram sob o fuzil do tente Ladislau, alguns com requintes de crueldade como o caso do cangaceiro Baliza, brutalmente torturado, pendurado de cabeça para baixo em uma árvore e queimado vivo pelo cruel Tenente. Na obra “O mundo estranho dos cangaceiros”, do renomado escritor Estácio de Lima, Ângelo Roque, o Labareda, narra com detalhes as suas andanças pelos sertões enquanto combatia nas frentes do cangaço. Labareda relata a chegada do seu grupo no lugar chamado Monte Alegre, onde foi surpreendido pela volante do ...

Cícero Dantas, 1940

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Rara foto da praça da Igreja de Cícero Dantas de 1940. Aparentemente a foto foi tirada da escadaria que leva ao cemitério local e mostra um aspecto bem diferente do atual. É perceptível que a cidade mudou muito nesses 80 anos. Na época Fátima já existia na forma de poucas casas na Praça Ângelo Lagoa.

Zequinha da Farmácia

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Foto cedida pela família José Antônio de Souza, conhecido entre a população como Zequinha da farmácia, escreveu alguns capítulos da história desse município. Durante longos anos em que o poder público negligenciou a saúde do nosso povo, foi na farmácia de seu Zequinha que o fatimense buscou refúgio nas horas de desespero.             Assim, realizou diversos procedimentos médicos entre a população, muitos fatimenses que ainda vivem devem isso à intervenção do médico de Fátima. Zequinha nunca estudou medicina, profissão à época reservada aos filhos da aristocracia, passou parte da juventude em São Paulo, ao retornar à Fátima, virou sócio de uma pequena farmácia em Novo Amparo (atual Heliópolis) com um primo. Este, habilidoso na fabricação de prótese dentária e no trato com medicamentos, o incentivou a iniciar as atividades de farmacêutico leigo.             É importa...

Seu Faustino, o alfaiate fatimense.

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Foto cedida pela família. A profissão de alfaiate é demasiadamente antiga, data do século XIII. Na Europa medieval, quando vestir-se deixou de ser uma mera necessidade de adaptar-se ao clima, os nobres costumavam receber em suas casas os alfaiates. Essa prática não era barata e apenas os mais ricos podiam bancar o luxo de ter alguém para construir as suas roupas sob medida e em domicílio, já que não haviam fábricas para a produção em massa que conhecemos hoje.             Durante a idade média, contudo, a vaidade era altamente combatida pela igreja. Com a ascensão do renascimento e valorização das formas do corpo humano, a alfaiataria ganhou corpo e fama.             Os primeiros alfaiates a chegarem ao Brasil desembarcaram com a corte portuguesa em 1808. Seu trabalho foi amplamente utilizado pela elite colonial e seus conhecimentos foram sendo disseminados por geraçõ...