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Pedro Borges e família

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  Acervo: Museu do Sertão. A fotografia que você vê foi tirada por volta de 1915. Ela retrata uma numerosa família, tendo como pano de fundo o Engenho Camurciatá, propriedade centenária da família Dantas, localizada em Itapicuru, Bahia. Nela podemos ver Pedro Borges de Santana, nascido em 1879, sua esposa, Elisa Barreto de Souza, nascida em 1885, além de filhos e netos. O casal teve ao menos sete filhos e inúmeros netos. Não há identificação dos demais membros da família presentes na imagem. Pedro Borges de Santana, conhecido como “Piroca”, era filho de Joaquim Borges de Santana, mas este não é o Joaquim Borges de Santana que viveu aqui em Fátima. Já explico. Para entender o parentesco das pessoas da foto com os Borges de Fátima, é preciso levar em consideração o casal Francisco José Borges (1826–1906) e Roza Maria do Nascimento (1814–1882), de Itapicuru. Eles tiveram ao menos cinco filhos, entre eles Joaquim Borges de Santana, nascido em 1849 e falecido em 1921, que é o pai de Ped...

Câmara de Jeremoabo celebra o casamento de Pedro II e Teresa Cristina

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  No dia 30 de maio de 1843, na cidade italiana de Nápoles, às margens do Mar Mediterrâneo, a futura imperatriz do Brasil, Teresa Cristina, sobe ao altar. O noivo, contudo, encontrava-se a um oceano de distância. O casamento ocorreu por procuração, e um irmão de Teresa Cristina representou seu noivo, D. Pedro II, imperador do Brasil, na cerimônia. O matrimônio ocorreu sem que os noivos sequer se conhecessem pessoalmente. A agora imperatriz chegaria ao Brasil a bordo da Fragata Constituição. A comitiva foi festejada com salvas de canhão na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Pedro II, na época com apenas 17 anos, quebra o protocolo e vai a bordo do navio conhecer a esposa. Conta-se que ele teria ficado decepcionado por Teresa Cristina não se parecer com os retratos que conhecia da imperatriz. O desembarque oficial ocorreu no dia 4 de setembro, quando a corte do Rio de Janeiro conheceu sua imperatriz. No sertão, contudo, a notícia chegou pouco mais de duas semanas depois daquele mo...

Sebastião da Fonseca Andrade: linhagem, patrimônio e poder no sertão oitocentista

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  Sebastião da Fonseca Andrade nasceu em 5 de abril de 1857, numa região que atualmente compreende o município de Fátima, em área de localização ainda incerta entre os povoados de Serra Velha, Tábua e Bomfim. Seu avô, Sebastião da Fonseca Dórea, é considerado o fundador de Poço Verde, onde adquiriu terras da família Ávila em 1839. A propriedade, denominada Fazenda Rio Real por estar situada às margens do rio de mesmo nome, localizava-se do lado baiano da divisa, em área que hoje corresponde a parte da zona urbana de Poço Verde. O próprio nome da cidade é atribuído a um poço natural que supostamente existia na propriedade e que conservava a vegetação verde em seu entorno mesmo durante os períodos de estiagem. Consta que Sebastião Dórea teria tentado obter junto à Diocese de Jeremoabo autorização para construir uma capela em sua propriedade, mas não obteve êxito. Posteriormente, conseguiu autorização para a ereção do templo do lado sergipano. A capela foi construída e, com o ...

Aristides da Costa Borges (1850-1905)

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  Coronel da Guarda Nacional, Aristides da Costa Borges nasceu em Jeremoabo, por volta de 1850, casou-se com Rosenda Correia de Souza (1849–1934), filha de Francisco Correia de Souza, segundo presidente da Câmara da Vila do Bom Conselho. Tanto Aristides quanto seu sogro tiveram atuação política destacada, sendo membros do Partido Conservador e correligionários do Barão de Jeremoabo. Aristides elegeu-se deputado provincial para a legislatura de 1882–1883 e, posteriormente, senador estadual, em 11 de junho de 1894. Ocupou também o cargo de intendente de Bom Conselho, consolidando-se como uma das figuras influentes da política local nas últimas décadas do século XIX. Fora da vida política, destacou-se como proeminente fazendeiro em Bom Conselho, desfrutando de influência e prestígio na sociedade local. Sua trajetória também esteve diretamente vinculada à sociedade escravista da época. Em 1888, Aristides prendeu pessoalmente Martinho, homem escravizado pertencente a sua sogra,  Do...

Família Sá de Jeremoabo: política e poder

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  Cel. João Sá A família Sá, da cidade baiana de Jeremoabo, possui uma genealogia que permite observar antigas conexões familiares e algumas de suas ramificações pelo interior do estado. A plataforma FamilySearch reúne informações que possibilitam traçar um panorama histórico de seus antepassados e das relações estabelecidas entre diferentes famílias da região. Este texto toma como base exclusivamente os dados disponíveis na referida plataforma, sem informações fornecidas por membros da linhagem ou consulta, até o momento, a outras fontes documentais. Para melhor compreensão do leitor, tomaremos como ponto de partida um dos membros mais proeminentes da família: João Gonçalves de Sá, que ficou conhecido na história política regional como Coronel João Sá. João Gonçalves de Sá nasceu em 1882 e faleceu em 1958. Em 26 de maio de 1905, casou-se com Luzia Mendonça de Carvalho. Entre os filhos do casal identificados na plataforma estão João Sá Filho e Luzia Eulina de Carvalho Sá Costa....

Família Vieira de Cícero Dantas: descendência, política e poder

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  A família Vieira tem uma longa trajetória política em Cícero Dantas. Seus membros já ocuparam cargos em várias esferas do poder, atuando como intendentes, prefeitos, vereadores e deputados. No âmbito dos cargos públicos, esse leque é ainda maior, tendo integrantes da família ocupado funções em diferentes instâncias das administrações municipal, estadual e federal. Chiquinho Vieira Para efeito didático, tomaremos como ponto de partida um dos seus membros mais proeminentes: Francisco de Souza Andrade, nascido em 1873 e falecido em 1949. Chiquinho Vieira, como ficou conhecido, foi chefe quase incontestável da política de Cícero Dantas em seu tempo. Habilidoso e pragmático, costurava a política local a partir dos bastidores e, em seu auge, praticamente não conhecia adversários à altura. Chiquinho Vieira escreveu sua própria história de poder e mandonismo, inserido em uma tradição de influência política e econômica herdada de seus antepassados e, posteriormente, transmitida aos seus d...

Diga a quem me ama que estou indo embora

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  Em 2 de maio de 1945, Antônio Cruz de Oliveira Félix, um dos patriarcas da família Félix em Fátima, escreveu de São Paulo uma pequena carta aos pais. Poucas linhas foram suficientes para mandar notícias, falar da saudade e anunciar uma decisão: “Diga a quem me ama que São Paulo não vale nada, tô indo embora, tudo porque não nasci para mandado.” Naquele momento, acontecimentos que mudariam os rumos do mundo se desenrolavam rapidamente. Hitler havia morrido apenas dois dias antes e Berlim estava derrotada. Em 8 de maio, menos de uma semana depois da carta, a Alemanha se renderia, encerrando a Segunda Guerra Mundial na Europa. O Brasil também vivia um momento decisivo. Soldados da Força Expedicionária Brasileira ainda estavam na Europa, enquanto, internamente, o Estado Novo de Getúlio Vargas caminhava para o fim. A contradição de enviar soldados para combater regimes autoritários no exterior enquanto o país permanecia sob uma ditadura fortalecia as pressões pela redemocratização. Em...