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Os Ancestrais de Ângelo Lagoa.

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  Quem é leitor aqui do Blog sabe que Ângelo Lagoa, nome de batismo: Ângelo José de Souza, é considerado o fundador da cidade de Fátima. Isso porque foi no entorno da casa construída no final do século XIX, na atual praça que leva seu nome, que um arruado foi se formando, dando origem ao que hoje é a zona urbana do município. Em pesquisa genealógica recente, descobri que parte da família de sua mãe, Genoveva Maria de Jesus, vem da região da Chapada Diamantina, mais precisamente da cidade de Rio de Contas. Os pais de Genoveva, avós de Ângelo Lagoa, são Bernardino José Cordeiro e Maria Thereza de Jesus. Ele nasceu em 1772 e ela em 1780, ambos na cidade de Rio de Contas. Seus avós eram Bernardino Cordeiro da Silva e Maria Joaquina Pires Corves. Ele, nascido em 1738, é citado como herdeiro e testamenteiro do Sargento-Mor Faustino Pires Chaves, talvez tio de sua esposa. E assim segue a teia da família de minha trisavó Genoveva, chegando a seus primeiros ancestrais portuguese...

A Família Brito: uma linhagem de poder no sertão

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  Sobrado dos Brito, demolido em 1977. Quando se fala na história política e social do sertão baiano, poucos sobrenomes possuem uma trajetória tão longa e influente quanto a família Brito. Embora existam diversos ramos espalhados por cidades como Fátima, Jeremoabo, Ribeira do Pombal e Paripiranga, foi em Ribeira do Pombal que se consolidou o núcleo mais poderoso dessa linhagem, cuja presença na vida pública atravessa gerações e remonta aos tempos imperiais. Um dos nomes mais conhecidos da contemporaneidade é o de Antônio Ferreira de Oliveira Brito, nascido em 1908, herdeiro de uma tradição familiar marcada pela liderança política, pelo poder econômico e pela influência regional. Sua ascendência permite percorrer uma extensa cadeia genealógica que conecta o sertão baiano do século XX às antigas famílias luso-brasileiras dos séculos XVIII e XIX. Antônio Ferreira de Oliveira Brito. Antônio Ferreira de Oliveira Brito era filho de Antônio Ferreira de Brito Neto e de Evência de Oliveir...

O primeiro integrante da família Reis a chegar à Fátima.

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Ilustração de antigo engenho sertanejo. Essa história remonta ao princípio do século XIX, por volta de 1840, quando as terras que hoje compõem o município de Fátima passaram a ser ocupadas de forma mais efetiva, isto é, quando as primeiras famílias vieram, de fato, se estabelecer na região. Antes de prosseguir, entretanto, é preciso esclarecer que não estou falando aqui da atual sede do município, formada a partir da residência construída por Ângelo Lagoa por volta de 1890. Neste caso, estamos tratando do território do município como um todo, incluindo a zona rural. No caso da família Reis, a área em questão corresponde ao território localizado nas imediações do parque aquático Wet Family, região que, por volta dos anos 1850, era conhecida por diferentes nomes: Surjoa, Laje, Laje da Boa Vista e Pedrinhas. Pedrinhas era o nome da localidade onde meus ancestrais se estabeleceram por volta de 1840, quando chegou à região Ângelo dos Reis Nascimento, trisavô do meu avô Zé Quinzinho. Ângelo ...

Memórias da Escassez: A Luta Ancestral Contra a Seca em Fátima e região.

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    A história do semiárido nordestino é profundamente marcada pelo chamado "Polígono das Secas", uma área onde as chuvas são irregulares e os longos períodos de estiagem são cíclicos. Embora haja um consenso científico que aponte o fenômeno El Niño como o principal culpado por esse flagelo climático, a verdadeira história da região não é feita de estatísticas meteorológicas, mas sim da resiliência, do sofrimento e da luta contundente de nossos ancestrais para garantir a sobrevivência na terra árida. Para as gerações atuais, que felizmente não conhecem em sua plenitude o cenário desolador do passado, as políticas contemporâneas — como a água encanada, os carros-pipa, a açudagem, os programas de financiamento para a agricultura familiar e a assistência social — atenuam de forma significativa os efeitos da estiagem. Contudo, nas décadas de 1930 a 1950, a estrutura estatal era muito insuficiente. Naquela época, a escassez transformava a água em ouro e a fome em uma constant...

Quando o Distintivo não vinha do Concurso: A Era dos Delegados "Calça Curta" em Fátima!

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  Você sabia que, antes de Fátima conquistar sua emancipação e se separar administrativamente de Cícero Dantas em 1986, a segurança pública por aqui tinha uma dinâmica bem diferente? Naquela época, a figura central era o Delegado Auxiliar ou Comissionado. No interior, eles ficaram conhecidos popularmente como os Delegados "Calça Curta". O apelido, embora folclórico, referia-se ao fato de serem homens da própria comunidade, indicados pelo poder local para manter a ordem, muitas vezes sem formação jurídica ou grandes recursos. Essa tradição de colocar o sertanejo na linha de frente vem de longe. Na época das volantes, eram os nativos — que conheciam cada palmo de chão e cada esconderijo da caatinga — os grandes aliados na luta contra o cangaço. Sem eles, as emboscadas e táticas de defesa seriam impossíveis. Essa mesma lógica de usar a coragem e o conhecimento local como distintivo parece ter perdurado em nossa região até os anos 90, encontrando nos delegados calça curta seus úl...

A Abolição da Escravidão e seus Reflexos em Fátima e Região

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  Imagem ilustrativa.  Em 13 de maio de 1888, o Brasil encerrava um dos capítulos mais tenebrosos de sua trajetória histórica. Com a sanção da Lei Áurea, a escravidão foi oficialmente extinta, tornando o país a última nação das Américas a abolir esse regime compulsório. O fim do sistema escravocrata não foi um ato isolado de benevolência, mas o ápice de um prolongado processo de resistência que mobilizou diversos setores da sociedade contra elites agrárias que persistiam em sustentar a exploração humana. A consolidação da liberdade gerou impactos profundos e imediatos. Nos interiores do país, a transição para o trabalho livre revelou o despreparo de uma elite que baseava sua existência na dominação absoluta. Na literatura, José Lins do Rego imortalizou essa transição na figura do Coronel Lula de Holanda, em Fogo Morto. O personagem personifica a "morte" dos engenhos: um senhor que, consumido pelo ódio e pelo orgulho, assiste à debandada de seu plantel logo após a notícia ...

Itinerário da Estrada Real das boiadas.

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  Com base na análise de registros históricos, como antigos documentos de cobrança de foro, é possível reconstruir o itinerário da Estrada Real das Boiadas (ou Estrada Real dos Bois). A partir do século XVIII, a Província da Bahia consolidou uma complexa rede viária destinada ao trânsito de comitivas que integravam a economia pecuária do sertão aos centros urbanos. O fluxo logístico consistia na condução de gado bovino, previamente engordado às margens do Rio São Francisco — historicamente denominado "Rio dos Currais" —, em direção à capital, Salvador. No trajeto inverso, as expedições retornavam ao interior transportando manufaturas e bens de subsistência inexistentes na região semiárida. O complexo viário originava-se nas latifúndios pastoris localizados ao longo do Rio São Francisco, especificamente nas adjacências de Paulo Afonso e da antiga Vila de Curral dos Bois (atual município de Glória, BA). A partir deste ponto, as boiadas avançavam pelo bioma da caatinga, transita...