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Sebastião da Fonseca Andrade: linhagem, patrimônio e poder no sertão oitocentista

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  Sebastião da Fonseca Andrade nasceu em 5 de abril de 1857, numa região que atualmente compreende o município de Fátima, em área de localização ainda incerta entre os povoados de Serra Velha, Tábua e Bomfim. Seu avô, Sebastião da Fonseca Dórea, é considerado o fundador de Poço Verde, onde adquiriu terras da família Ávila em 1839. A propriedade, denominada Fazenda Rio Real por estar situada às margens do rio de mesmo nome, localizava-se do lado baiano da divisa, em área que hoje corresponde a parte da zona urbana de Poço Verde. O próprio nome da cidade é atribuído a um poço natural que supostamente existia na propriedade e que conservava a vegetação verde em seu entorno mesmo durante os períodos de estiagem. Consta que Sebastião Dórea teria tentado obter junto à Diocese de Jeremoabo autorização para construir uma capela em sua propriedade, mas não obteve êxito. Posteriormente, conseguiu autorização para a ereção do templo do lado sergipano. A capela foi construída e, com o ...

Aristides da Costa Borges (1850-1905)

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  Coronel da Guarda Nacional, Aristides da Costa Borges nasceu em Jeremoabo, por volta de 1850, casou-se com Rosenda Correia de Souza (1849–1934), filha de Francisco Correia de Souza, segundo presidente da Câmara da Vila do Bom Conselho. Tanto Aristides quanto seu sogro tiveram atuação política destacada, sendo membros do Partido Conservador e correligionários do Barão de Jeremoabo. Aristides elegeu-se deputado provincial para a legislatura de 1882–1883 e, posteriormente, senador estadual, em 11 de junho de 1894. Ocupou também o cargo de intendente de Bom Conselho, consolidando-se como uma das figuras influentes da política local nas últimas décadas do século XIX. Fora da vida política, destacou-se como proeminente fazendeiro em Bom Conselho, desfrutando de influência e prestígio na sociedade local. Sua trajetória também esteve diretamente vinculada à sociedade escravista da época. Em 1888, Aristides prendeu pessoalmente Martinho, homem escravizado de sua propriedade, acusado de as...

Família Sá de Jeremoabo: política e poder

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  Cel. João Sá A família Sá, da cidade baiana de Jeremoabo, possui uma genealogia que permite observar antigas conexões familiares e algumas de suas ramificações pelo interior do estado. A plataforma FamilySearch reúne informações que possibilitam traçar um panorama histórico de seus antepassados e das relações estabelecidas entre diferentes famílias da região. Este texto toma como base exclusivamente os dados disponíveis na referida plataforma, sem informações fornecidas por membros da linhagem ou consulta, até o momento, a outras fontes documentais. Para melhor compreensão do leitor, tomaremos como ponto de partida um dos membros mais proeminentes da família: João Gonçalves de Sá, que ficou conhecido na história política regional como Coronel João Sá. João Gonçalves de Sá nasceu em 1882 e faleceu em 1958. Em 26 de maio de 1905, casou-se com Luzia Mendonça de Carvalho. Entre os filhos do casal identificados na plataforma estão João Sá Filho e Luzia Eulina de Carvalho Sá Costa....

Família Vieira de Cícero Dantas: descendência, política e poder

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  A família Vieira tem uma longa trajetória política em Cícero Dantas. Seus membros já ocuparam cargos em várias esferas do poder, atuando como intendentes, prefeitos, vereadores e deputados. No âmbito dos cargos públicos, esse leque é ainda maior, tendo integrantes da família ocupado funções em diferentes instâncias das administrações municipal, estadual e federal. Chiquinho Vieira Para efeito didático, tomaremos como ponto de partida um dos seus membros mais proeminentes: Francisco de Souza Andrade, nascido em 1873 e falecido em 1949. Chiquinho Vieira, como ficou conhecido, foi chefe quase incontestável da política de Cícero Dantas em seu tempo. Habilidoso e pragmático, costurava a política local a partir dos bastidores e, em seu auge, praticamente não conhecia adversários à altura. Chiquinho Vieira escreveu sua própria história de poder e mandonismo, inserido em uma tradição de influência política e econômica herdada de seus antepassados e, posteriormente, transmitida aos seus d...

Diga a quem me ama que estou indo embora

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  Em 2 de maio de 1945, Antônio Cruz de Oliveira Félix, um dos patriarcas da família Félix em Fátima, escreveu de São Paulo uma pequena carta aos pais. Poucas linhas foram suficientes para mandar notícias, falar da saudade e anunciar uma decisão: “Diga a quem me ama que São Paulo não vale nada, tô indo embora, tudo porque não nasci para mandado.” Naquele momento, acontecimentos que mudariam os rumos do mundo se desenrolavam rapidamente. Hitler havia morrido apenas dois dias antes e Berlim estava derrotada. Em 8 de maio, menos de uma semana depois da carta, a Alemanha se renderia, encerrando a Segunda Guerra Mundial na Europa. O Brasil também vivia um momento decisivo. Soldados da Força Expedicionária Brasileira ainda estavam na Europa, enquanto, internamente, o Estado Novo de Getúlio Vargas caminhava para o fim. A contradição de enviar soldados para combater regimes autoritários no exterior enquanto o país permanecia sob uma ditadura fortalecia as pressões pela redemocratização. Em...

O sepultamento do Monsenhor Elias e a retomada de um antigo costume

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  Hoje, de passagem por Cícero Dantas, fiz questão de visitar a centenária Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho para testemunhar, com os meus próprios olhos, a história sendo escrita. Trata-se da retomada de um antigo costume: o de sepultar pessoas no interior das igrejas, prática que, é importante destacar, havia sido abandonada há mais de 93 anos. Até hoje, existiam seis túmulos conhecidos nas dependências da igreja de Cícero Dantas. O sétimo será destinado ao quase centenário Monsenhor José Elias Ferreira, em reconhecimento à sua trajetória religiosa e ao legado deixado à comunidade. Conhecido carinhosamente como Padre Elias, Monsenhor José Elias Ferreira nasceu em 17 de fevereiro de 1927, na cidade baiana de Sátiro Dias. Chegou a Cícero Dantas em 1964, onde exerceu o sacerdócio por décadas, tornando-se uma das figuras mais respeitadas da história religiosa do município. O costume de realizar sepultamentos no interior das igrejas popularizou-se na Europa durante a Idade Média...

Odilon Flor

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  Odilon Nogueira de Souza, conhecido como Odilon Flor , nasceu em 12 de janeiro de 1903, no povoado de Nazaré, então pertencente ao município de Floresta, em Pernambuco. Integrante do grupo conhecido como Nazarenos , destacou-se como um dos mais combativos perseguidores de Lampião durante o período do cangaço. Os Nazarenos reuniam homens oriundos de Nazaré que se notabilizaram pelo enfrentamento sistemático aos bandos cangaceiros. Nesse contexto, Odilon Flor percorreu diferentes estados do Nordeste participando de sucessivas campanhas contra Lampião e seus seguidores. Segundo a tradição preservada pelos próprios nazarenos, fez o juramento de combater Lampião e seus homens até o fim. Com a transferência definitiva de Lampião para a Bahia, em 1928, Odilon ingressou na Força Pública baiana, levando consigo a experiência adquirida nos combates travados em Pernambuco. Sua atuação contribuiu para fortalecer as volantes que passaram a perseguir os remanescentes do cangaço em território b...

Quantos sobrenomes deram origem a você?

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É curioso pensar que, para que eu e você existíssemos, foi necessário que uma imensidão de pessoas viesse ao mundo, crescesse, enfrentasse as dificuldades de seu tempo, construísse relações e deixasse descendentes. Muitos migraram em busca de sobrevivência ou prosperidade; outros foram obrigados a abandonar suas terras em razão da escravidão ou de conflitos. Cada uma dessas trajetórias, mais leve ou mais dolorosa, contribuiu para formar a história que, séculos depois, desembocaria na nossa própria existência. Quando observamos uma árvore genealógica, essa dimensão torna-se ainda mais impressionante. Cada um de nós tem 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 tetravós, e esse número dobra a cada geração. Em poucas centenas de anos, o total de antepassados diretos alcança cifras surpreendentes. Para ilustrar, tomo como exemplo um dos meus ancestrais da 11ª geração, tecnicamente chamado de undécimo avô. Seu nome era Gonçalo Gonçalves , nascido em 1630, em Vila Real, Portugal, casa...

O 2 de julho não aconteceu somente no litoral.

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  Em 1821, duas facções disputavam o poder na Bahia. As tensões em torno da independência do Brasil se intensificavam na província. De um lado, estavam os defensores da autoridade das Cortes portuguesas e da manutenção dos laços políticos com Portugal; de outro, o grupo que defendia maior autonomia e, posteriormente, a independência do Brasil. Em janeiro de 1822, as Cortes portuguesas nomearam o brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo como Comandante das Armas da província da Bahia, numa clara tentativa de assegurar os interesses portugueses na região. No mês seguinte, soldados portugueses saíram às ruas de Salvador e entraram em confronto com militares brasileiros e partidários da independência. As tensões cresceram como nunca, levando parte da população da capital a refugiar-se nas cidades do Recôncavo. Em 25 de junho de 1822, a cidade de Cachoeira, às margens do rio Paraguaçu, tornou-se o principal centro da resistência baiana. Foi ali que se reuniu grande número de pessoas dispo...

Os Ancestrais de Ângelo Lagoa.

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  Quem é leitor aqui do Blog sabe que Ângelo Lagoa, nome de batismo: Ângelo José de Souza, é considerado o fundador da cidade de Fátima. Isso porque foi no entorno da casa construída no final do século XIX, na atual praça que leva seu nome, que um arruado foi se formando, dando origem ao que hoje é a zona urbana do município. Em pesquisa genealógica recente, descobri que parte da família de sua mãe, Genoveva Maria de Jesus, vem da região da Chapada Diamantina, mais precisamente da cidade de Rio de Contas. Os pais de Genoveva, avós de Ângelo Lagoa, são Bernardino José Cordeiro e Maria Thereza de Jesus. Ele nasceu em 1772 e ela em 1780, ambos na cidade de Rio de Contas. Seus avós eram Bernardino Cordeiro da Silva e Maria Joaquina Pires Corves. Ele, nascido em 1738, é citado como herdeiro e testamenteiro do Sargento-Mor Faustino Pires Chaves, talvez tio de sua esposa. E assim segue a teia da família de minha trisavó Genoveva, chegando a seus primeiros ancestrais portuguese...