Odilon Flor

 

Odilon Nogueira de Souza, conhecido como Odilon Flor, nasceu em 12 de janeiro de 1903, no povoado de Nazaré, então pertencente ao município de Floresta, em Pernambuco. Integrante do grupo conhecido como Nazarenos, destacou-se como um dos mais combativos perseguidores de Lampião durante o período do cangaço.

Os Nazarenos reuniam homens oriundos de Nazaré que se notabilizaram pelo enfrentamento sistemático aos bandos cangaceiros. Nesse contexto, Odilon Flor percorreu diferentes estados do Nordeste participando de sucessivas campanhas contra Lampião e seus seguidores. Segundo a tradição preservada pelos próprios nazarenos, fez o juramento de combater Lampião e seus homens até o fim.

Com a transferência definitiva de Lampião para a Bahia, em 1928, Odilon ingressou na Força Pública baiana, levando consigo a experiência adquirida nos combates travados em Pernambuco. Sua atuação contribuiu para fortalecer as volantes que passaram a perseguir os remanescentes do cangaço em território baiano.

Após aproximadamente quinze anos dedicados ao combate ao cangaço, recebeu com frustração a notícia da morte de Lampião, ocorrida em 28 de julho de 1938, por não ter participado da ação que resultou na morte do líder cangaceiro.

Menos de um ano depois, em 8 de junho de 1939, comandou a volante que surpreendeu o grupo de Ângelo Roque na zona rural de Paripiranga, Bahia. O confronto resultou na morte de três cangaceiros, entre eles Mariquinha, esposa de Ângelo Roque. O episódio ocorreu já no período de desarticulação dos bandos remanescentes, após a morte de Lampião.

Odilon Flor faleceu em 7 de julho de 1950, vítima de câncer na garganta. Entre pesquisadores e familiares, consolidou-se a percepção de que seu reconhecimento institucional não correspondeu à relevância de sua trajetória no combate ao cangaço. Reformado como segundo-sargento, é frequentemente lembrado como um dos grandes combatentes do cangaço que não recebeu, em vida, o reconhecimento que muitos consideram compatível com os serviços prestados.

 

Moisés Reis é professor há 24 anos no município de Fátima (BA) e Membro da ABLAC (Academia Brasileira de Letras e Arte do Cangaço). Licenciado em História pela UNIAGES, com especialização em História e Cultura Afro-Brasileira pela UNIASSELVI, é Mestre em Ensino de História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Correspondente Literário da Revista Foro Literário, Sertão da Ressaca do Semiárido Nordeste II e do Litoral Norte. Autor de diversas obras, entre elas Manual Didático do Professor de História, O Nazista, Fátima: Traços da sua História, O Embaixador da Paz, Maria Preta: Escravismo no Sertão Baiano e Últimos Cangaceiros: Justiça, Prisão e Liberdade. Também produziu a HQ Histórias do Cangaço e o documentário Identidade Fatimense. Sua pesquisa concentra-se na história do sertão baiano, com ênfase na sociedade do couro, nos processos de ocupação, nas relações de poder e nas memórias coletivas da região.

 

Contato: 75 999742891

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