Postagens

Calúnias do passado na Vila do Bom Conselho.

Imagem
  No dia 2 de novembro de 1892, uma abastada família do Bom Conselho comprava um espaço no jornal impresso denominado JORNAL DE NOTÍCIAS, com sede em Salvador sob o desejo de defender a honra de um dos seus membros e, por consequência, a honra de toda a família Gonçalves de Souza. Dias antes da nota no dito jornal, João Gonçalves de Sousa, morador nascido no Bom Conselho, se dirigia à capital portando certa quantia em dinheiro, o objetivo da viagem era fazer compras para o seu comércio e trazer víveres para os seus conterrâneos. Era uma viagem longa, cansativa e dispendioso. Na altura do município de Alagoinhas, houve um roubo de animais e o sertanejo foi acusado de ser o malfeitor. Não se sabe se João Gonçalves foi ou não o praticante do crime, o que ficou para a história, foi a indignação dos seus familiares com o ocorrido. Tamanha foi a revolta da família que um dos seus irmãos procurou o periódico para publicar a nota e esclarecer que em sua família não havia ladrões. N...

Escravidão no sertão. O Fundo de Emancipação Nacional em Cícero Dantas, Bahia.

Imagem
  Criado no âmbito da Lei do Ventre Livre em 1871, o Fundo de Emancipação Nacional foi mais um aspecto da política abolicionista, um instrumento financeiro que visava financiar a alforria de cativos e dar suporte a libertos nos primeiros anos de emancipação.           A lei 2040, previa a compra da liberdade de escravizados financiados pelo próprio Estado Imperial. Os recursos eram oriundos de impostos como o do açúcar e liberados em forma de cotas para os municípios brasileiros. Esse dinheiro, uma vez destinado a cada município ou vila, era pago aos proprietários dos cativos selecionados para receber a carta de alforria.           A seleção desses homens e mulheres para receber a tão sonhada liberdade, era feita por junta de classificação municipal, composta pelo promotor público, do coletor e pelo presidente da câmara local.           Infeli...

Sergipe e Bahia disputam território no sertão

Imagem
Desde o período colonial, acalorados debates são travados na definição dos territórios que pertencem a um e ao outro estado e, a bem da verdade, essa história ainda rende comentários, haja vista que, mesmo nos dias atuais, a linha fronteiriça entre Bahia e Sergipe ainda é contestada.           Em 2017, autoridades dos dois estados abriram discursão acerca do tracejo da fronteira. Entendendo que áreas de municípios como Fátima, Bahia e Poço Verde, Sergipe (para ficar apenas em um exemplo), precisavam ser revistas. No caso citado, Sergipe alega que parte dos territórios do Bomfim e Riacho das Pedras, pertenceriam, por direito, ao município de Poço Verde e, por consequência, ao estado sergipano.           Essa definição é muito complexa devido a ausência de precisão em tratados antigos. Documentos do século XIX, por exemplo, colocam a Serra do Capitão como área limítrofe entre os municípios de Cícero ...

Corisco na Fazenda Barriguda.

Imagem
  Corisco. A Fazenda Barriguda é hoje parte da sede do município de Fátima, fica próximo ao Pisa Macio e faz fronteira com a Maria Preta. No século XIX, essa propriedade foi adquirida pela família Dantas, em 1856, ela aparece registrada em nome de João Dantas dos Reis, pai do Barão de Jeremoabo.           A propriedade foi herdade pelo Barão e após a sua morte, em 27 de outubro de 1903, passou ao seu filho mais velho que ficou com essa fazenda e mais 34 propriedades no sertão baiano.           Quando o cangaço passa a ser uma dura realidade para a Bahia, a partir do final de 1928, quando Lampião e sete dos seus homens cruzam o São Francisco e passam a atuar mais ativamente em território baiano, João da Costa Pinto Dantas era o maior proprietário de terras da região e como tal, foi assediado por cangaceiros que tentavam extorquir dinheiro do rico fazendeiro. João da Costa Pinto Dantas. Uma ...

A despedida de Correinha da Zabumba.

Imagem
                 No último domingo, 2 de janeiro de 2025, Fátima foi palco de uma genuína manifestação cultural que marcou a despedida do mais famoso vaqueiro da cidade. Enquanto vivo, Pedro Correia de Andrade, ou simplesmente Correinha da Zabumba, com era conhecido, dedicou sua vida às expressões da cultura do gado.           Descendente de antigos vaqueiros e criadores de gado, Correinha, estava sempre acompanhado de algo que demonstrasse o seu apreço a essa arte. Assim, organizou inúmeras missas de vaqueiro, com aboiadores, zabumbas e flautas que soavam ao som do pífano.           Já na velhice, escreveu cartas e deixou bem claro aos familiares que não queria tristeza em seu velório, recomendou que chamassem cantadores de forró, aboiadores e que em sua despedida houvesse festa.           Quem já precis...

Assassinato na Praça Ângelo Lagoa.

Imagem
  Era 6 de março de 1970, Fátima ainda era conhecida como “Vila de Fátima” e pertencia ao município de Cícero Dantas. Naquele dia, um marido possessivo entrou em sua casa, na rua “Rua Velha” como chamavam os moradores, sacou sua arma a atirou contra a esposa que costurava em uma velha máquina. Mortalmente ferida, Adelina Santos Souza, tomba sobre o móvel inerte. O marido assassino, Ananias Santana de Souza, era soldado, servia sob as ordens de Liberino Vicente, ex-volante e delegado do distrito na época. O crime chocou a pequena localidade, o delegado deu voz de prisão a um companheiro de farda que, mesmo diante do ato brutal que acabara de cometer, não fugiu e não esboçou qualquer reação violenta após o crime. Foi conduzido para uma cela improvisada onde hoje é o Mercadinho JR e aguardou até ser conduzido para a cadeia de Cícero Dantas. Lá, aguardou até ser submetido a júri popular, que aconteceu no 18 de julho de 1974, alguns fatimenses chegaram a ir assistir ao júri. Condenado p...

Capitão Felipe Castro, o humanista.

Imagem
  Enquanto José Osório de Farias, o Zé Rufino, era um autêntico caçador, um guerreiro das caatingas acostumado a combater violência com violência, o capitão Felipe Borges de Castro, se notabilizou pelo seu viés humanitário. Estudioso do tema cangaço e do sertão enquanto palco principal do fenômeno, o Capitão Felipe, como era conhecido, chegou a propor abordagens de não-violência como ferramenta de combate ao cangaço. Em relatório enviado ao comando, chegou a afirmar:   [...] dos estudos feitos por esse comando, no distrito de Bebedouro, município de Geremoabo, quando de sua viagem daquela zona, resulta falar com segurança acerca do abandono que se encontrava, aquela terra, a infância cujo vida estar condicionada aos horrores do Cangaço criminoso. Não há escolas, nem oficinas, nem arados. Ali, só o bacamarte, conduzido por mãos assassinas, doutrinado exemplifica. IV a escola, para o cujo funcionamento despende o governo certa importância, vive fechada. V – o passatempo favorit...