Pedro Borges e família
| Acervo: Museu do Sertão. |
A fotografia que você vê foi tirada por
volta de 1915. Ela retrata uma numerosa família, tendo como pano de fundo o
Engenho Camurciatá, propriedade centenária da família Dantas, localizada em
Itapicuru, Bahia.
Nela podemos ver Pedro Borges de
Santana, nascido em 1879, sua esposa, Elisa Barreto de Souza, nascida em 1885,
além de filhos e netos. O casal teve ao menos sete filhos e inúmeros netos. Não
há identificação dos demais membros da família presentes na imagem.
Pedro Borges de Santana, conhecido como
“Piroca”, era filho de Joaquim Borges de Santana, mas este não é o Joaquim
Borges de Santana que viveu aqui em Fátima. Já explico.
Para entender o parentesco das pessoas
da foto com os Borges de Fátima, é preciso levar em consideração o casal
Francisco José Borges (1826–1906) e Roza Maria do Nascimento (1814–1882), de
Itapicuru. Eles tiveram ao menos cinco filhos, entre eles Joaquim Borges de
Santana, nascido em 1849 e falecido em 1921, que é o pai de Pedro Borges da
foto de abertura deste texto.
Mas o casal acima citado também teve
como filho João Borges de Santana, nascido em 1848. João Borges de Santana é
pai de Joaquim Borges de Santana, que viveu em Fátima e foi dono de terras na
Serradinha, e também de Paula Borges de Santana, que constituiu uma numerosa
família em Fátima.
Há ainda um outro parentesco entre os
integrantes da foto e fatimenses, desta vez da família Correia, isso porque a
mãe do patriarca da fotografia, Francisca Dantas dos Reis, é irmã de Levina Francisca
Dantas, avó de Correinha da Zabumba e também de Líbia Dantas, esposa de Severo
Correia.
Assim, os personagens registrados nessa
fotografia e os Borges que posteriormente se estabeleceram em Fátima pertencem
a diferentes ramos de uma mesma linhagem familiar. Partindo de Francisco José
Borges e Roza Maria do Nascimento, é possível acompanhar a divisão desses ramos
e compreender os vínculos de parentesco entre famílias que permaneceram em
Itapicuru e aquelas que se estabeleceram em outras localidades da região.
A fotografia, portanto, além de
preservar a imagem de uma numerosa família no início do século XX, ajuda a
contar parte dessa trajetória familiar e de suas ramificações pelo sertão
baiano.
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