Câmara de Jeremoabo celebra o casamento de Pedro II e Teresa Cristina

 

No dia 30 de maio de 1843, na cidade italiana de Nápoles, às margens do Mar Mediterrâneo, a futura imperatriz do Brasil, Teresa Cristina, sobe ao altar. O noivo, contudo, encontrava-se a um oceano de distância.

O casamento ocorreu por procuração, e um irmão de Teresa Cristina representou seu noivo, D. Pedro II, imperador do Brasil, na cerimônia. O matrimônio ocorreu sem que os noivos sequer se conhecessem pessoalmente.

A agora imperatriz chegaria ao Brasil a bordo da Fragata Constituição. A comitiva foi festejada com salvas de canhão na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Pedro II, na época com apenas 17 anos, quebra o protocolo e vai a bordo do navio conhecer a esposa. Conta-se que ele teria ficado decepcionado por Teresa Cristina não se parecer com os retratos que conhecia da imperatriz.

O desembarque oficial ocorreu no dia 4 de setembro, quando a corte do Rio de Janeiro conheceu sua imperatriz. No sertão, contudo, a notícia chegou pouco mais de duas semanas depois daquele momento de efervescência na capital do Império.

No dia 20 de setembro, uma correspondência de Salvador chega a Jeremoabo, e os poderosos locais se apressam em celebrar o ocorrido. Meses depois, em janeiro do ano seguinte, uma sessão solene foi organizada na Câmara Municipal da cidade, onde uma ata foi elaborada e assinada por João Dantas dos Reis, pai do Barão de Jeremoabo, presidente da Casa, e mais cinco correligionários. A ata foi enviada a Salvador com o pedido do presidente para que fossem transmitidos ao imperador os regozijos do povo de Jeremoabo.

A ata acima citada está preservada na documentação que compõe o acervo do Museu do Sertão, em Itapicuru, e é mais um documento que revela a relação entre o centro do Império e o sertão, evidenciando as conexões entre o poder imperial e a nossa região.



 Moisés Reis é professor há 24 anos no município de Fátima (BA) e Membro da ABLAC (Academia Brasileira de Letras e Arte do Cangaço). Licenciado em História pela UNIAGES, com especialização em História e Cultura Afro-Brasileira pela UNIASSELVI, é Mestre em Ensino de História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Correspondente Literário da Revista Foro Literário, Sertão da Ressaca do Semiárido Nordeste II e do Litoral Norte. Autor de diversas obras, entre elas Manual Didático do Professor de História, O Nazista, Fátima: Traços da sua História, O Embaixador da Paz, Maria Preta: Escravismo no Sertão Baiano e Últimos Cangaceiros: Justiça, Prisão e Liberdade. Também produziu a HQ Histórias do Cangaço e o documentário Identidade Fatimense. Sua pesquisa concentra-se na história do sertão baiano, com ênfase na sociedade do couro, nos processos de ocupação, nas relações de poder e nas memórias coletivas da região.

 

Contato: 75 999742891

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