Postagens

Raimundo Oleiro ajudou a construir Fátima

Imagem
Raimundo Oleiro. Foto cedida pela família. A Olaria é considerada a mais antiga das indústrias. O oleiro, profissional das olarias, é aquele que confecciona utensílios ou objetos à partir da argila. Ainda no neolítico, os homens primitivos começaram a substituir cabaças, cacos de cocos e demais vasilhames naturais por vasos de cerâmica. Teria início ali a arte de moldar o barro para a produção de objetos que facilitavam a vida das pessoas. Diversos povos indígenas brasileiros faziam uso variado da cerâmica. Aqui mesmo na região nordeste da Bahia os kirirs, que habitavam toda esta área, já faziam uso do barro moldado bem antes da chegada do portugueses. Os exemplos mais eloquentes disso são as urnas funerárias (vasos de cerâmicas onde ossos humanos eram sepultados em rituais fúnebres) encontradas em Paripiranga nos anos 1970 e em Cícero Dantas na construção do estádio municipal. Mas a variação da olaria mais conhecida entre os sertanejos é mesmo as tendas responsáveis pela...

A bodega de Félix Gabriel

Imagem
            O poeta paraibano Jessier Quirino narra os icônicos personagens nordestinos personificados nos donos de bodega, os trejeitos e a peculiar impaciência desses senhores, verdadeiros patrimônios da nossa cultura.             Em Fátima temos diversos exemplos desses comerciantes de um tempo em que não existiam especificidades para um comércio. Tudo se encontrava nas bodegas, de pílula cibalena a munição de arma de fogo eram prontamente embalados no papel que se cortava de um grande cilindro e entregues ao freguês comprador.             Esses estabelecimentos sobreviveram até os anos 1990. Na minha infância fui até a bodega de Paulo das Galinhas comprar “linha pau” para costurar bolas de futebol e também na bodega de Elias Pereira comprar “Quitute”.          ...

HQ Histórias do Cangaço.

Imagem

Praça Ângelo Lagoa, anos 1980.

Imagem
A foto foi tirada entre 1986 e 1988 (não se sabe com exatidão). A garotinha da imagem é Daniela de Joaninha, a professora Dany. Ao fundo é possível ver o Jardim da Independência recém-construído. As bordas que separavam os canteiros eram feitas com formas geométricas muito baixas e os globos que protegiam as lâmpadas muito característicos. Lembro muito bem dessa aparência do jardim, quando minha família mudou-se para a praça em 1992 ele ainda era assim, lembro dos globos cheios de besouros atraídos pelas lâmpadas. Os automóveis ao fundo são duas variants, uma delas estacionada em frente à casa de Zé de Ana. A enorme figueira que ainda hoje existe mostra-se frondosa, em frente à casa de Seu Otávio e Dona Ana. Foto enviada ao Blog HF por Juan K. Menezes

O privilégio de ter sido criança na Praça Ângelo Lagoa dos anos 1990

Imagem
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=y4mkalKPg9U Em meados de 1992 a minha família trocou a casa onde morávamos, na Avenida Nossa Senhora de Fátima, pela velha casa construída nos anos 1930 na Praça Ângelo Lagoa. Me lembro bem do estranhamento que me causou aquela cumprida casa antiga, de telhado baixo e uma fachada com cerca de cinquenta centímetros de espessura. “Feita para suportar tiros de fuzil de cangaceiros!”, era a teoria do meu pai.             Eu não sabia ainda, mas aquela mudança faria toda a diferença nos anos subsequentes da minha infância. Ali fiz bons e numerosos amigos que cultivo até os dias de hoje, à despeito do distanciamento que a vida, as atividades profissionais e o tempo nos impõe.             As brincadeiras daquela geração seriam demasiadamente estranhas às crianças de hoje. Não quero aqui me render à sentimentalismos e nostalg...

Acidente trágico nos tira Totô

Imagem
Foto cedida pela família No dia 10 de outubro de 2011, uma madrugada de domingo para segunda feira, a cidade acordou com a fatídica notícia. Um acidente nas proximidades do antigo matadouro municipal vitimou dois jovens que retornavam de uma festa na cidade de Cícero Dantas. A moto na qual trafegavam se chocou com um cavalo solto na pista, levando a morte de Totô, aos 26 anos de idade. Ele nasceu Luciano dos Santos Andrade, mas para os amigos sempre foi Totô. À um só tempo irreverente e encrenqueiro, fazia a alegria das pessoas da Praça Ângelo Lagoa. Quando criança, nos anos 1990, os jovens com um pouco mais de idade se divertiam fazendo os mais novos brigar (coisas de uma outra época) e Totô sempre fora dos mais afoitos. Brigava por que gostava. Vez por outra desafiava dois outros garotos para o duelo na praça, eu mesmo já participei por diversas vezes dessas batalhas de criança.   Por mais estranho que possa parecer aos olhos da contemporaneidade, essas “brincadeiras...

Lampião matou uma criança com o seu punhal?

Imagem
Lampião segurando o punhal. Disponível em: http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2015/01/ O sertanejo que viveu entre as décadas de vinte e trinta do século passado habituou-se à dureza da vida imposta pelo clima e também pelas inúmeras e graves questões de cunho social. Além da seca que assolava o chão sobre o qual pisava, a violência de cangaceiros e forças policiais imprimiram um povo duro, muitas vezes ríspido e alheio à sentimentalismos. As ações de cangaceiros e volantes criaram inúmeros traumas entre “os paisano”, como eram conhecidas as pessoas que não tomavam partido de um lado ou de outro nas lutas. Esse clima de violência e rivalidades entre policiais e bandidos deu margem ao surgimento de inúmeras lendas envolvendo, sobretudo, os cangaceiros. Como se sabe, Lampião foi o maior expoente do cangaço e, por consequência, a figura mais presente nas lendas. Durante as minhas pesquisas, fiz inúmeras entrevistas com moradores de Fátima e região. Em mais de um caso...