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As entregas sob a perspectiva de um vigário.

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José de Magalhães e Souza (ao centro). Fonte: Blog Lampião aceso   Em novembro de 1938, Lampião e parte do seu bando já haviam sido abatidos na grota do angico, deixando um vazio de comando entre os grupos cangaceiros. Na oportunidade, os jornais do Nordeste alardeavam a notícia das entregas de grupos, alguns dos mais famosos na cidade de Jeremoabo-BA. Uma famosa foto daquele episódio foi veiculada pelo jornal Diário da Noite, na edição das 11 horas, no dia 5 de novembro de 1938. A fotografia em questão, mostrava homens perfilados contra uma parede, alguns sentados e outros de pé. Eram religiosos, militares e cangaceiros que posavam para uma imagem que representava o fim de um dos períodos mais conturbados da história brasileira. Entre os personagens dessa icônica foto, um deles se destaca pela satisfação exposta em seu enigmático sorriso. É o vigário de Jeremoabo, o português José de Magalhães e Souza, que, aliás, foi o idealizador da foto. As informações que compõem os acon...

Os Félix em Fátima e região.

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Imagem ilustrativa.             Quando divulguei aqui no blog as informações colhidas no processo-crime que investigou o assassinato de João Lucindo de Souza em 1919, mostrei que diversas linhagens familiares importantes na cidade foram citadas no referido processo como acusados ou testemunhas do fato. Mas uma família em particular, chamou a minha atenção, a família Félix. Não somente por ser a linhagem familiar de João Maria de Oliveira, mas pelas informações constantes no documento acerca de alguns indivíduos que por aqui já viviam ainda no século XIX.           O mais antigo deles, Félix José de Oliveira, nasceu em 1849 em Coité, atual Paripiranga, era, até aquele momento, o indivíduo mais antigo nessa região com o sobrenome Félix de Oliveira.           Para melhor compreender o significado disso, é preciso que se diga que no século XIX e no século XX, era ...

Fátima, século XIX.

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Hoje já se sabe que a área onde hoje se localiza Fátima e povoações vizinhas já é habitada desde o século XIX, nesse sentido, o primeiro ponto a considerar é que o município ocupa uma área relativamente extensa, marcada por diferentes dinâmicas de ocupação ao longo do tempo. Para situar a discussão, restringir-nos-emos, neste texto, aos primeiros núcleos de povoamento nas regiões que compreendem a atual sede municipal e suas adjacências. A sede do município apresenta particularidades históricas próprias. Desde 1825, já havia registros cartográficos e documentais de fazendas na região, conforme inventários dos bens pertencentes à Casa da Torre. Entre eles, destacam-se as fazendas Mocó e Lagoa da Volta (1829) e Barriguda (1833). Ainda assim, há indícios de que a ocupação efetiva dessas terras tenha ocorrido apenas a partir da segunda metade do século XIX. Um exemplo é a fazenda Maria Preta, cujas terras, pertencentes a Severo Correia, já estavam voltadas para atividades agropecuárias nes...

O assassinato de João Lucindo de Souza.

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  No último dia 11 de janeiro, publiquei aqui no Blog HISTÓRIA DE FÁTIMA uma história que gerou as mais diversas reações das pessoas que nos acompanham por aqui. Na oportunidade, com a ajuda dos sempre parceiros deste Blog Juan Kléber e Eduardo Pires, fiz um apanhado de tudo aquilo o que a memória popular guardou do assassinato de João Lucindo. O texto intitulado “Quem foi João Lucino” trouxe, como dito, um juntado de informações colhidas em entrevistas com pessoas mais velhas da cidade, reunindo fragmentos de memórias com o objetivo de fazer o registro da narrativa de um assassinato ocorrido em Fátima quando esta ainda se chamava Mocó. Essa mesma história, entretanto, renderia novos capítulos. Acontece que, em pesquisa no enorme acervo do Arquivo Público do Estado, me deparei com o processo crime do caso. Para os que não estão familiarizados, o processo crime é a reunião dos depoimentos das testemunhas da época, acusados, mandados de prisão e todos os procedimentos tomados pel...

Quem foi João Lucino?

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  Imagem ilustrativa A história que vou contar hoje apareceu para mim como um desses mistérios intrigantes do passado. Como eu cresci na Praça Ângelo Lagoa, tive um contato significativo com esse nome de uma das ruas que cruzam a praça. Logo notei que, diferentemente da Ângelo Lagoa, da qual os mais velhos sempre faziam questão de dizer que homenageava o fundador da cidade, a origem do nome da Rua João Lucino era quase que desconhecido por todos. Mais tarde, já como pesquisador da história local, percebi que alguma pessoas até conheciam a história, mas não gostavam de falar e isso, naturalmente, me intrigou ainda mais. Recentemente, junto com o pesquisador Juan Kléber, fiz um breve levantamento da história e, contando com a valiosa colaboração deste, do ex-prefeito Eduardo Pires e de Seu Zé Borges, pudemos traçar uma versão, baseada em diversos depoimentos e indícios do que teria levado à nomeação da via que liga a praça da Matriz à Rua da Lage com esse nome. Antes de qualque...