Os Ancestrais de Ângelo Lagoa.
Quem é leitor aqui do Blog sabe que
Ângelo Lagoa, nome de batismo: Ângelo José de Souza, é considerado o fundador
da cidade de Fátima. Isso porque foi no entorno da casa construída no final do
século XIX, na atual praça que leva seu nome, que um arruado foi se formando,
dando origem ao que hoje é a zona urbana do município.
Em pesquisa genealógica recente,
descobri que parte da família de sua mãe, Genoveva Maria de Jesus, vem da
região da Chapada Diamantina, mais precisamente da cidade de Rio de Contas.
Os pais de Genoveva, avós de Ângelo
Lagoa, são Bernardino José Cordeiro e Maria Thereza de Jesus. Ele nasceu em
1772 e ela em 1780, ambos na cidade de Rio de Contas.
Seus avós eram Bernardino Cordeiro da
Silva e Maria Joaquina Pires Corves. Ele, nascido em 1738, é citado como
herdeiro e testamenteiro do Sargento-Mor Faustino Pires Chaves, talvez tio de
sua esposa.
E assim segue a teia da família de minha
trisavó Genoveva, chegando a seus primeiros ancestrais portugueses, que são o
casal Pedro Vaz e Maria Gonçalves. Ele nasceu na antiga freguesia de Santa
Maria do Calvão, pertencente ao concelho de Chaves, no norte de Portugal,
próximo à fronteira com a Espanha. Ela nasceu na mesma localidade, em 1660. O
casal contraiu matrimônio em 2 de novembro de 1684.
Pedro Vaz e Maria Gonçalves são meus
ancestrais de décima geração. Eram, provavelmente, camponeses em uma região
essencialmente rural de Portugal no século XVII, quando a colonização do Brasil
ainda estava em seus primeiros estágios. É bem provável que tenham sido seus
netos ou até bisnetos os primeiros a migrar para a colônia entre o final do
século XVII e o início do XVIII, quando foram descobertas jazidas de ouro na
região da Serra das Almas, fato que provocou um intenso fluxo migratório de
portugueses e de habitantes de diversas áreas da colônia para a região da
Chapada Diamantina.
Por esse tempo, a Coroa Portuguesa
passou a organizar a exploração do mineral, instituindo a fiscalização e a
cobrança do famoso "Quinto", por meio do qual o garimpeiro precisava
entregar vinte por cento do ouro encontrado aos fiscais reais.
A fundação da Vila de Rio de Contas
ocorreu com o nome de Vila de Nossa Senhora do Livramento de Rio de Contas. A
exploração aurífera na região entrou em declínio no fim do século XVIII. A
partir daí, muitos exploradores deixaram a região em direção a outras áreas da
Bahia e do Brasil. Não se sabe ao certo quando os ancestrais de Ângelo Lagoa
chegaram ao Nordeste da Bahia, nem sob quais condições. Ângelo José de Souza
nasceu nas proximidades de Heliópolis, Bahia, por volta de 1868. Estimo sua
chegada ao atual território de Fátima por volta de 1880.
Moisés
Reis é professor há 24 anos no
município de Fátima (BA) e Membro da ABLAC (Academia Brasileira de Letras e
Arte do Cangaço). Licenciado em História pela UNIAGES, com especialização em
História e Cultura Afro-Brasileira pela UNIASSELVI, é Mestre em Ensino de
História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Correspondente Literário
da Revista Foro Literário, Sertão da Ressaca do Semiárido Nordeste II e do
Litoral Norte. Autor de diversas obras, entre elas Manual Didático do Professor de História, O Nazista, Fátima: Traços da sua História,
O Embaixador da Paz,
Maria Preta: Escravismo no
Sertão Baiano e Últimos
Cangaceiros: Justiça, Prisão e Liberdade. Também produziu a HQ Histórias do Cangaço e o
documentário Identidade
Fatimense. Sua pesquisa concentra-se na história do sertão baiano,
com ênfase na sociedade do couro, nos processos de ocupação, nas relações de
poder e nas memórias coletivas da região.
Contato:
75 999742891
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