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Zé Rufino com uniforme militar.
Aí vem José Rufino, perseguindo o cangaceiro;
Que é um homem destemido no nordeste brasileiro;
Sujeito das pernas mole, mas tem o dedo ligeiro.
Versos
de um repente em homenagem a Zé Rufino.
Desde que criei o Blog História de Fátima e passei
a levantar a história do cangaço em nossa região, o personagem Zé Rufino sempre
esteve presente nos textos sobre a temática. Não poderia ser diferente pois Zé
Rufino foi o comandante da força policial da qual fazia parte o fatimense
Liberino Vicente. Conversando com alguns leitores do nosso blog, percebi que
muitos não sabiam ao certo quem foi o Tenente considerado como um dos mais
eficientes na luta contra os cangaceiros. Pois bem, esse é nosso tema de hoje,
nas próximas linhas, procurarei fazer um relato um tanto detalhado da vida de
Zé Rufino.
Ele nasceu José Osório de Farias, no dia 20 de fevereiro
de 1906, em Pernambuco, seu apelido se deu pelo fato de ser filho de Maria
Rufina. Passou assim a ser chamado de Zé de Rufina e posteriormente Zé Rufino.
Era sanfoneiro afamado quando conheceu Lampião ainda em seu estado natal (Pernambuco).
Convidado por Virgulino por três vezes para fazer parte do seu bando, Zé Rufino
afirma ter argumentado ao chefe bandoleiro que não tinha intensão de viver em
armas ao que Lampião não tinha aceitado bem.
Essa declaração
foi dada ao Cineasta Paulo Gil, em 1964, quando Zé Rufino, agora Coronel, vivia
a tranquilidade da sua aposentadoria em Jeremoabo-BA. Na entrevista, o militar
já aposentado faz importantes relatos sobre sua história no combate aos
cangaceiros. |
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Entrevista em 1964.
Após recusar
os convites de Lampião muda-se para a Bahia e alista-se na polícia. Depois do
combate com Mariano, ocorrido em Porto da Folha – SE em 1936, Rufino é
promovido e passa a ser Tenente da polícia baiana, patente que ocuparia até o
fim do cangaço.
Quando
perguntado pelo cineasta Paulo Gil quantos cangaceiros havia matado, o velho
militar se esquiva e afirma ter assistido a morte de uma porção deles. Aos quais
cita compassadamente os nomes daqueles que morreram frente à sua temida força
policial:
Pai Véio
Meia noite
Catingueira
Quina-quina
Sabonete
Mariano
Azulão
Canjica
Zabelê
Zepelim
Pavão
Barra Nova
O tenente
ficou famoso no sertão, tanto que, uma das versões que tentam explicar os
motivos da reunião em Angico em 1938, a reunião que culminou na emboscada que
matou Lampião e parte do seu bando, dá conta de que a fatídica conferencia de
cangaceiros ocorrera por causa de Zé Rufino. Os defensores dessa ideia
acreditam que Lampião reuniu ali diversos subgrupos sob seu comando para tratar
de dar um fim em Zé Rufino. Na ocasião, Virgulino teria dito:
- “Vamos
dar um jeito em Zé Rufino que tá querendo passar de pato pra ganso”.
Tenha sido esse o motivo ou não, todos sabem que aquela
reunião terminou com a emboscada que foi o último combate de Lampião e parte significativa
do seu Bando.
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Zé Rufino não participou do combate
em Angico. A partir de 1939 continuou a perseguir os dois únicos bandos ativos
que ainda agiam na região, o de Labareda e o bando de Corisco. Labareda e seu
bando se entregou em Paripiranga em 1940 e Corisco continuou em ação até 1942.
No dia 25 de maio daquele ano, Corisco e Dadá são
alcançados no município baiano de Barra do Mendes pela força de Zé Rufino. O
combate que deu fim a Corisco é visto por muitos como o marco final do cangaço.
Com o fim da campanha cangaceira, Zé Rufino ainda serviu
à polícia baiana por alguns anos, foi delegado de Jeremoabo e chegou a ser
convidado pelo Padre Renato Galvão em 1956 para patrulhar a problemática
eleição de Cícero Dantas e a não menos complicada urna de Monte Alverne, na
qual o Soldado João Maria de Oliveira exercia sua pressão política a fim de favorecer
os seus correligionários. Zé Rufino não veio e o Padre fez queixa ao deputado
João da Costa Pinto Dantas Jr.
Rufino é promovido a coronel e se aposenta. Decide ficar
em Jeremoabo onde se torna um próspero fazendeiro e um homem muito respeitado na
cidade. Ainda nos anos 1960, recebeu em sua casa a ex-cangaceira Dadá, mulher
de Corisco que perdera uma perna no combate em Barra do Mendes com a volante de
Rufino. Já velho e doente, o coronel teria pedido perdão a Dadá que demostrou
apreço pelo ex-inimigo que, segundo ela mesma, não deixou que a matassem na
batalhe em que Corisco pereceu.
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Dadá e Zé Rufino, um ano antes da morte do Militar. |
Zé Rufino faleceu em 20 de
fevereiro de 1969, dia em que completara 63 anos. Foi enterrado no cemitério de
Jeremoabo. Um dado curioso sobre sua morte e sepultamento é que a sepultura do afamado
coronel se perdeu com o tempo, diversos pesquisadores do cangaço já tentaram
encontrar onde exatamente estão os restos mortais do matador de cangaceiros,
mas sem sucesso. Infelizmente nem mesmo a família, parte dela ainda residente
em Jeremoabo, sabe ao certo o local do seu sepulcro. E assim, um dos maiores
expoentes militares da história do cangaço foi sepultado sem a devida liturgia e
nem mesmo uma sepultura que guarde a lembrança da sua vida foi-lhe oferecida.
Moisés Santos Reis Amaral,
Professor há 20 anos do Município de Fátima, Licenciado em História pela
Uniages com especialização em História e Cultura Afro-brasileira, Mestre em
Ensino de História pela Universidade Federal de Sergipe. Autor das obras: Manual
Didático do Professor de História, O Nazista e da HQ Histórias do
Cangaço.
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Muito 10 man!
ResponderExcluirMuito obrigado, Gustavo.
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