Se você mora ou viveu por alguns anos na área de fronteira entre a Bahia e Sergipe, mais precisamente no território hoje classificado como Semiárido Nordeste II, você provavelmente já ouviu falar do Frei Apolônio de Todi.
Seu nome hoje está em praças, ruas, avenidas e repartições
públicas, mas não se sabe muito sobre a sua vida, muito provavelmente pelo
tempo decorrido da sua morte, ou seja, quase duzentos anos.
O Frei Apolônio, pertencia a uma subordem dos franciscanos
denominados Capuchinhos. Essa ordem religiosa marcou profundamente a sua
presença no sertão. O Frei Apolônio, por exemplo, foi o responsável pela
construção do Santuário de Monte Santo - BA e da Igreja de Cícero Dantas-BA.
Nascido próximo à cidade Italiana de Todi, em 1747, chegou
à Salvador, já ordenado capuchinho, em 1782, com 35 anos. Sua viagem tinha como
destino inicial as ilhas de São Tomé e Príncipe, na África, porém, devido a
complicações no mar, acabou aportando na capital baiana exausto e doente. Após
a recuperação, afeiçoou-se ao Brasil e decidiu seguir para o sertão, hoje
Semiárido Nordeste II.
Viveu por longos 10 anos entre os índios do Massacará, na
divisa entre os municípios de Cícero Dantas e Euclides da Cunha, onde chegou a
um antigo aldeamento fundado em 1639 com o objetivo de catequisar os indígenas
locais. O Massacará, hoje parte do município de Euclides da Cunha, é uma área
de reserva indígena com um pequeno aglomerado de casas central e outras tantas
espalhadas por uma área arenosa e de poucas chuvas.
Mas foram os deslocamentos que o elevaram ao posto cunhado
por Euclides da Cunha, o “Apóstolo do Sertão”. Em 1775, chega à Serra do
Piquaraçá, um local ermo, com uma grande elevação do terreno, próximo do qual,
uma casa de taipa servia de apoio aos missionários que por ali passavam a cada
quatro ou cinco anos. Foi ali que conclamou a população a erguer um santuário,
“o calvário do sertão” que ele mesmo batizaria de Monte Santo.
Mais tarde, em 1812, chegou a outro local isolado, a
chamado dos parcos moradores locais. Era um pequeno aglomerado de casas
denominado Bom Conselho, atual cidade de Cícero Dantas. No alto de uma colina,
onde se observava um cemitério muito mal cuidado, em local perigoso, famoso
pelas emboscadas, conclamou mais uma vez a população, rezou a primeira missa e disse
que ali ergueria a capela de Nossa Senhora do Bom Conselho dos Montes do
Boqueirão.
Nascia
ali a matriz de mesmo nome, completamente reformada em 1896 pelo vigário
Vicente Martins, com a ajuda dos seguidores de Antônio Conselheiro e auxílio
financeiro da comunidade local e do Barão de Jeremoabo.
Moisés Reis é professor, fundador e editor do Blog História do Sertão, é historiador, mestre em Ensino de História pela Universidade Federal de Sergipe e atualmente se dedica a estudar a história do sertão baiano. contato: 75 999742891.